sábado, 19 de junho de 2010

Coisinha

na travessa o
manoel carlos
folheia clarice

podia ser haicai, mas era só mal du siècle.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Barco

Ao tato de um

tal em papo de dois

aprendi a dar-me inteiro

Sempre

salto ávido (convite)

com os olhos, salto

nunca profundo

Solto

se parnasiano

erro meus dias

em esmo

Agarro

ao toque do sino

ouço o rangido (atino)

é o cabo d’âncora

Sorte

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Condimentos da Bruxa Má

Uma pitada de sal nos olhos,
para chorarmos no futuro
todo aquele gás hilariante

Uma patada na arrogância
coice do asno
astuto e asmático

Uma picada no cupido
flechada insecta
soro antiofídico

E ao meu coração
algum decoro
de corpo cansado

quinta-feira, 13 de maio de 2010

jaz o cientista

em sua epígrafe

dois versinhos

sábado, 8 de maio de 2010

Se um dia você acordar na linha W...

Há em Astoria

um chinês que aos sábados,

quando vou à lavanderia

rí de tudo que faço


Há em Astoria

um mercado de esquina

com mais azeitonas e burcas

que etiquetas no trans-fat


Há em Astoria (bem cedinho)

um vento que de tão gelado

quando abro a porta sussurra:

Você precisa de luvas.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

I


Eu me via escravo daquela construção

que em presença da bela mudava de forma

Vidro barato, grades de proteção e os jardins

infestados de cuidado! (veneno de rato)


Tudo fascinante aos nossos olhos coniventes

Aos corpos quentes e juntos a verdade se mostrava:

Vitrais de Murano, muralhas chinesas e jardins mouriscos

com veias d’água em labirintos de frutas mil


II


E os aromas transcendiam a maresia

Agora eu lia Laranjeiras, Papoulas e Damas da Noite

Até o azul se mostrava diferente

ciano, índigo e céu


Descobri os segredos da alquimia!

Quando recebi tácito presente

o verdejante “u” me fez poesia

amordaçou-me às Tílias inexistentes


III


Fundei um clube, era sócio afundador

Uma sociedade de corações rotos

onde brindávamos com bebida barata

enquanto encenávamos falsos confortos


Não era o bar, o péssimo bar

não eram os copos de vidro, mal lavados

Eram apenas os nossos relógios

ao meio dia em fuso errado

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Soneto À Passarinha

Linda, daqueles

olhos incompreensíveis

é a passarinha

que surgiu na janela


Passando,

não tomando água

que passarinho

não bebe


Passarinha, vê se não passa!

Não caia em má figura de linguagem,

em rima pobre


Tadinha, tão envergonhada

Enquanto bebe a sua água

Tão passarinha